Assinale a opção em que a regência verbal está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
- A) Os servidores desobedeceram o regulamento interno.
- B) A segurada namora com um servidor do órgão.
- C) O candidato simpatizou-se com a proposta.
- D) O perito procedeu à análise dos documentos. ✓
Gabarito: D
Explicação: Proceder, no sentido de dar início a algo ou realizá-lo, é transitivo indireto e rege a preposição a; com o substantivo feminino 'análise', ocorre crase. Na norma-padrão, desobedecer exige a preposição a ('desobedeceram ao regulamento'), namorar é transitivo direto ('namora um servidor') e simpatizar não é pronominal ('simpatizou com a proposta').
Pegadinha: Construções coloquiais como 'namorar com' e 'simpatizar-se com' soam naturais, mas contrariam a norma-padrão cobrada pela banca.
Regência é a relação entre um termo que exige complemento e esse complemento. Na regência verbal, o verbo define se o complemento vem sem preposição (objeto direto) ou com preposição (objeto indireto); na regência nominal, quem pede a preposição é um nome, como em obediência a ou apto para. A prova cobra a norma-padrão, que muitas vezes difere da fala cotidiana.
O sentido do verbo determina sua regência. Assistir no sentido de ver ou presenciar pede a (assisti ao filme), e no sentido de caber ou competir também pede a (assiste ao segurado o direito de recorrer); no sentido de ajudar é, de preferência, transitivo direto (o médico assistiu o paciente). Aspirar no sentido de desejar pede a (aspira ao cargo), mas no sentido de sorver é direto (aspirar o ar). Visar no sentido de ter por objetivo pede a na tradição (visa ao bem comum), mas a omissão é aceita, sobretudo antes de infinitivo (visa garantir); no sentido de mirar ou pôr visto, é direto.
Outros verbos queridos da banca: obedecer e desobedecer pedem a (obedecemos ao edital, desobedeceram ao regulamento). Preferir pede a e não aceita do que nem mais: prefiro estudar a trabalhar. Chegar e ir indicam destino com a, e não com em (cheguei à escola, fui ao mercado), e ir também aceita para (fui para casa). Implicar no sentido de acarretar é transitivo direto: a falta de documentos implicará atraso, sem em.
Pagar e perdoar são diretos quanto à coisa e indiretos, com a, quanto à pessoa: o órgão pagou aos aposentados os valores atrasados. Proceder no sentido de realizar ou dar início pede a, o que gera crase diante de palavra feminina (o perito procedeu à análise). Namorar é transitivo direto (namora um servidor, e não namora com), e simpatizar não é pronominal (simpatizou com a proposta, nunca simpatizou-se).
Veja o contraste: o servidor assistiu ao treinamento, mas o enfermeiro assistiu o segurado. No primeiro caso assistir é ver e pede a; no segundo é ajudar e dispensa preposição. Quando a preposição a exigida encontra o artigo a de palavra feminina, surge a crase (obedecer à norma).
Uma pegadinha típica do CEBRASPE é manter a frase correta e errar a justificativa: dizer que em 'assiste a todo segurado o direito' o verbo significa ver torna o item errado, embora a preposição esteja certa. A banca também apresenta formas coloquiais que soam naturais, como implicar em, aspirar o cargo, chegar em, preferir do que e desobedecer o regulamento. Em certo ou errado, confira a frase e a explicação.
Para memorizar, descubra primeiro o sentido do verbo e só depois a preposição. Assistir (ver ou caber), aspirar (desejar), obedecer, preferir e proceder (realizar) pedem a; chegar e ir rejeitam em; implicar (acarretar), namorar e assistir (ajudar) não exigem preposição.