Julgue o item: Na frase "O servidor redigiu o parecer à Machado de Assis", o acento grave foi empregado incorretamente, pois não ocorre crase antes de palavra masculina.
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- B) Errado ✓
Gabarito: Errado
Questão de Crase · INSS · gabarito comentado
CEBRASPE · Língua Portuguesa · INSS
Julgue o item: Na frase "O servidor redigiu o parecer à Machado de Assis", o acento grave foi empregado incorretamente, pois não ocorre crase antes de palavra masculina.
Gabarito: Errado
Crase é a fusão da preposição a com o artigo feminino a(s), marcada pelo acento grave: à e às. Também ocorre quando a preposição encontra o a inicial de aquele, aquela e aquilo, formando àquele, àquela e àquilo. Assim, o acento sinaliza a preposição a somada ao artigo feminino ou ao a inicial desses pronomes.
Em regra, a crase tem duas condições: o termo anterior pede a preposição a (quem vai, vai a algum lugar) e a palavra seguinte é feminina e admite artigo. Faltando qualquer uma, não há crase. O teste prático é trocar a palavra feminina por uma masculina: se surgir ao, há crase, como em 'entreguei o documento à diretora' (ao diretor). Com nome de lugar, troque ir por voltar: quem volta da Bahia vai à Bahia; quem volta de Roma vai a Roma.
Não há crase antes de verbo ('começou a estudar'), de palavra masculina ('a pé') e de pronome de tratamento ('a Vossa Senhoria'), salvo senhora e senhorita ('à senhora'). Também não há antes da maioria dos indefinidos ('a todas as seguradas'), exceto outra e demais ('às demais'). Um a no singular antes de plural também dispensa o acento ('refiro-me a pessoas educadas'). A palavra casa, no sentido de lar e sem determinante, repele o artigo: 'voltou a casa', mas 'voltou à casa dos pais'.
A crase é facultativa quando o artigo é opcional: antes de possessivo feminino no singular seguido de substantivo ('encaminhou o recurso a sua advogada' ou 'à sua advogada'), antes de nome próprio feminino de pessoa e depois da preposição até. Nesses casos, as duas formas estão corretas. Sem o substantivo, a crase é obrigatória: 'minha tese é igual à sua'.
Locuções femininas levam acento por tradição: às vezes, à noite, à medida que. Com a expressão à moda de ou à maneira de, mesmo subentendida, há crase ('bife à milanesa'), inclusive antes de nome masculino: 'gol à Pelé', 'redigiu o parecer à Machado de Assis'.
Diante de horas, a crase depende da preposição a: 'o atendimento começa às 8 horas', mas 'desde as 8h' e 'após as 14h', sem acento. Em intervalos, exige-se paralelismo: 'das 8h às 14h' ou 'de 8h a 14h'. A mistura 'de 8h às 14h' está errada.
Exemplo: em 'O servidor dirigiu-se àquela sala', dirigir-se pede a, que se funde com o a de aquela. Em 'fomos à agência do INSS', vale o teste: fomos ao posto. Já 'fomos a pé' não tem artigo, pois pé é masculino.
A CEBRASPE testa a justificativa, não só o acento: o item pode aprovar uma forma errada ou condenar uma correta com um motivo falso, como 'sempre há crase antes de horas' ou 'nunca há crase antes de masculino'. Basta o motivo ser falso para o item estar errado. Também erra quem acentua antes de verbo, pé, Vossa Senhoria ou todas, ou nega uma das duas formas na crase facultativa. Para memorizar: preposição a + artigo a; trocou pelo masculino e apareceu ao, acentue.