Questão de Traumatologia forense · Polícia – Perito Criminal · gabarito comentado
Julgue o item: na eletroplessão por corrente elétrica industrial, a lesão característica no ponto de entrada é a figura arboriforme de Lichtenberg, enquanto a marca elétrica de Jellinek é típica da fulguração por raio.
Gabarito: Errado
Explicação: O item inverte os conceitos. A marca elétrica de Jellinek é a lesão de entrada da eletricidade artificial ou industrial (eletroplessão): endurecida, de bordas elevadas e indolor. As figuras arboriformes de Lichtenberg são típicas da eletricidade natural, o raio, na fulguração ou na fulminação.
Pegadinha: A banca troca os epônimos entre eletricidade industrial e eletricidade natural. Também costuma trocar os termos eletroplessão e fulguração.
A traumatologia forense é o ramo da Medicina Legal que estuda as lesões corporais e as energias e instrumentos que as produzem. Ao descrever a sede, a forma, as dimensões, as bordas e o fundo do ferimento, o perito infere o instrumento ou meio que o produziu.
As energias vulnerantes são de ordem mecânica, física (calor, frio, eletricidade, pressão, radiação), química (cáusticos e venenos), físico-química, bioquímica, biodinâmica e mista. Ácidos e bases fortes lesam por energia química. As asfixias são o exemplo clássico da energia físico-química, pois impedem as trocas gasosas do organismo.
Os instrumentos mecânicos simples são o perfurante (agulha), o cortante (navalha) e o contundente (pau, pedra, punho), que produzem, respectivamente, feridas punctória, incisa e contusa. Os mistos são o perfurocortante (faca, ferida perfuroincisa), o perfurocontundente (projétil de arma de fogo, ferida perfurocontusa) e o cortocontundente (ferida cortocontusa), que tem gume mas age sobretudo pelo peso e pela força do golpe: machado, foice, facão, enxada, guilhotina e até os dentes na mordedura.
A ferida incisa tem bordas regulares, não tem pontes de tecido e costuma terminar em cauda de escoriação. A ferida contusa tem bordas irregulares, escoriadas e equimosadas, fundo irregular e traves de tecido íntegro (vasos, nervos, fibras) unindo as margens. No couro cabeludo a contusa pode parecer um corte, mas as pontes de tecido a denunciam.
No tiro, as orlas de escoriação e de enxugo vêm do próprio projétil e, em regra, surgem na entrada a qualquer distância; a orla de enxugo não existe na saída, em geral de bordas irregulares e evertidas. Zona de tatuagem (pólvora), zona de esfumaçamento (fuligem) e chamuscamento são efeitos secundários, presentes com a boca do cano ao alcance dos resíduos (queima-roupa e curta distância). No tiro encostado, os resíduos entram no ferimento, que pode lembrar uma saída. Assim, entrada em pele sem vestes (que poderiam reter resíduos) e só com as orlas indica tiro a distância.
Na eletricidade industrial ou artificial (eletroplessão), a lesão clássica de entrada é a marca elétrica de Jellinek: endurecida, de bordas elevadas e indolor. As figuras arboriformes de Lichtenberg são típicas do raio, eletricidade natural, na fulguração (vítima sobrevive) ou na fulminação (morte).
Atenção às pegadinhas: arma de fogo como perfurante ou cortocontundente e Jellinek trocado por Lichtenberg. Também são erros orla de enxugo na saída, tatuagem em tiro a distância e asfixia como energia física ou química.
Para memorizar: arma de fogo é perfurocontundente, machado é cortocontundente e pontes de tecido indicam ferida contusa. Orlas vêm do projétil, tatuagem e fuligem do tiro de perto; Jellinek é da rede elétrica, Lichtenberg do raio.