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O que é Figuras de linguagem?
Figuras de linguagem são recursos expressivos em que se foge do sentido literal ou da construção habitual da frase para criar ênfase, beleza ou um efeito de sentido. Costumam ser agrupadas em figuras de palavra (ou semânticas), de pensamento, de construção (ou de sintaxe) e de som.
Figuras de palavra mexem com o sentido de um termo. Na metáfora há uma comparação implícita, sem conectivo ("Aquele zagueiro é um muro"). Na metonímia, troca-se uma palavra por outra com a qual ela tem relação de proximidade: o autor pela obra ("li Machado de Assis"), o continente pelo conteúdo ("bebeu dois copos"), a marca pelo produto, a parte pelo todo. A catacrese é a metáfora já gasta pelo uso, por falta de termo próprio ("pé da mesa"), e a sinestesia mistura sensações ("voz doce", "cor gritante").
Figuras de pensamento atuam sobre a ideia. A ironia diz o contrário do que se quer dizer e só se reconhece pelo contexto ("Que belo trabalho!", diante de um serviço malfeito). O eufemismo suaviza uma ideia dura ("ele nos deixou" por "morreu"), a hipérbole exagera ("já falei mil vezes") e a prosopopeia, ou personificação, dá traços humanos a seres inanimados ("o vento sussurrava"). A antítese aproxima ideias opostas ("riso e choro"); o paradoxo as funde numa afirmação que parece impossível ("é ferida que dói, e não se sente", de Camões).
Figuras de construção alteram a estrutura da frase. Na elipse omite-se um termo fácil de recuperar ("Na sala, apenas três alunos", sem o "havia"); no zeugma omite-se um termo que já apareceu antes ("Eu prefiro café; ela, chá"). O pleonasmo repete a ideia para reforçar ("vi com meus próprios olhos"), o polissíndeto repete o conectivo ("e corre, e grita, e chora"), o assíndeto dispensa o conectivo ("Vim, vi, venci") e a silepse faz a concordância com a ideia, não com a palavra ("Os brasileiros somos otimistas"). Entre as figuras de som, as mais cobradas são a aliteração (repetição de consoantes), a assonância (de vogais) e a onomatopeia (imitação de sons).
Em provas como as da FGV e da Vunesp, é comum a questão pedir o efeito de sentido que a figura produz no texto (ênfase, crítica, atenuação) ou se uma reescrita o mantém, e não apenas o nome dela. A nomenclatura também varia entre gramáticos: há quem trate a sinédoque como figura própria e quem a inclua na metonímia. Por isso vale entender o mecanismo em vez de decorar rótulos. E cuidado com o pleonasmo: o expressivo é figura; o vicioso ("subir para cima") é erro.
Termos relacionados
Definição de caráter informativo, para estudo. As regras aplicáveis a cada caso estão na legislação vigente e, em concurso, no edital.