Assinale a opção em que a concordância está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
- A) Era meio-dia e meia quando a agência abriu. ✓
- B) Era duas horas quando a agência abriu.
- C) Faltava dez minutos para a agência abrir.
- D) Chegou à agência, logo cedo, vários segurados.
Gabarito: A
Explicação: Em "meio-dia e meia", o "meia" concorda com "hora", que fica subentendida (meio-dia e meia hora). Quando indica horas, o verbo "ser" concorda com o numeral: "Eram duas horas". Com o sujeito depois do verbo, a concordância continua obrigatória: "Faltavam dez minutos" e "Chegaram vários segurados".
Pegadinha: O candidato acha que o certo seria "meio-dia e meio", como se "meia" concordasse com "meio-dia", e não percebe o sujeito no plural colocado depois do verbo.
Concordância é o ajuste de forma entre palavras que se relacionam na frase. Na concordância verbal, o verbo se ajusta ao sujeito em número e pessoa; na nominal, artigos, adjetivos, pronomes e numerais se ajustam em gênero e número ao substantivo a que se referem. A CEBRASPE costuma cobrar o tema em itens que mudam uma única flexão.
A regra geral é que o verbo concorda com o núcleo do sujeito, mesmo que o sujeito venha depois: "Chegaram vários segurados", "Faltavam dez minutos". Só com sujeito composto posposto se admite também a concordância com o núcleo mais próximo: "Chegou o diretor e os servidores". Nas horas, o verbo ser concorda com o numeral: "Eram duas horas", mas "É uma hora" e "Era meio-dia".
Verbos impessoais não têm sujeito e ficam na 3ª pessoa do singular. É o caso de haver no sentido de existir ou acontecer ("Houve falhas", nunca "Houveram falhas") e de fazer indicando tempo decorrido ou clima ("Faz dois anos", "Fez invernos rigorosos"). Já existir, ocorrer e acontecer são pessoais e concordam: "Existem dúvidas".
Na locução verbal, o auxiliar recebe a flexão. Se o verbo principal for impessoal, o auxiliar fica no singular: "Deve haver documentos", "Vai fazer dois anos". Se for pessoal, o auxiliar concorda com o sujeito: "Devem existir documentos". Como auxiliar de tempo composto, porém, haver é pessoal: "Eles haviam saído".
Com a partícula se, observe a regência. Com verbo transitivo direto, o se é partícula apassivadora e o verbo concorda com o sujeito paciente: "Alugam-se salas", isto é, salas são alugadas. Com verbo transitivo indireto, que exige preposição, o se indetermina o sujeito e o verbo fica no singular: "Precisa-se de servidores", nunca "Precisam-se de".
Na concordância nominal, o adjetivo acompanha o substantivo. Anexo, incluso e obrigado variam: "Seguem anexos os documentos"; só a locução em anexo é invariável. Em expressões como é proibido e é necessário, o adjetivo só concorda se o substantivo vier com artigo ou pronome; sem eles, fica no masculino singular: "É proibida a entrada", mas "É proibido entrada".
Meio e bastante mudam conforme a classe. Como advérbios, junto de adjetivo, verbo ou advérbio, são invariáveis: "meio cansadas", "bastante cansadas". Junto de substantivo, variam: meio no sentido de metade concorda ("meia hora"; por isso "meio-dia e meia", com hora subentendida) e bastante no sentido de muitos também ("bastantes pessoas").
A banca derruba quem pluraliza haver e fazer impessoais ou o verbo com se seguido de preposição, deixa no singular o verbo com sujeito posposto e troca a classe de meio e bastante. Para memorizar: sem sujeito ou com se de indeterminação, singular, inclusive no auxiliar; meio e bastante variam junto de substantivo e não variam junto de adjetivo, verbo ou advérbio.