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Julgue o item: Na frase "Precisam-se de servidores qualificados para o atendimento ao público", a forma…

Questão de Concordância verbal e nominal · INSS · gabarito comentado

CEBRASPE · Língua Portuguesa · INSS

Julgue o item: Na frase "Precisam-se de servidores qualificados para o atendimento ao público", a forma verbal está corretamente flexionada no plural, em concordância com "servidores".

Gabarito: Errado

Explicação: "Precisar de" é verbo transitivo indireto, então o "se" é índice de indeterminação do sujeito. Não há sujeito com que o verbo concorde, e ele fica na 3ª pessoa do singular: "Precisa-se de servidores". Em "Alugam-se salas", ao contrário, o verbo é transitivo direto, o "se" é partícula apassivadora e o verbo concorda com o sujeito paciente.
Pegadinha: A banca induz o candidato a tratar o "se" como partícula apassivadora, mas com verbo seguido de preposição ele indetermina o sujeito e o verbo não vai ao plural.

Revise a teoria de Concordância verbal e nominal

Concordância é o ajuste de forma entre palavras que se relacionam na frase. Na concordância verbal, o verbo se ajusta ao sujeito em número e pessoa; na nominal, artigos, adjetivos, pronomes e numerais se ajustam em gênero e número ao substantivo a que se referem. A CEBRASPE costuma cobrar o tema em itens que mudam uma única flexão.

A regra geral é que o verbo concorda com o núcleo do sujeito, mesmo que o sujeito venha depois: "Chegaram vários segurados", "Faltavam dez minutos". Só com sujeito composto posposto se admite também a concordância com o núcleo mais próximo: "Chegou o diretor e os servidores". Nas horas, o verbo ser concorda com o numeral: "Eram duas horas", mas "É uma hora" e "Era meio-dia".

Verbos impessoais não têm sujeito e ficam na 3ª pessoa do singular. É o caso de haver no sentido de existir ou acontecer ("Houve falhas", nunca "Houveram falhas") e de fazer indicando tempo decorrido ou clima ("Faz dois anos", "Fez invernos rigorosos"). Já existir, ocorrer e acontecer são pessoais e concordam: "Existem dúvidas".

Na locução verbal, o auxiliar recebe a flexão. Se o verbo principal for impessoal, o auxiliar fica no singular: "Deve haver documentos", "Vai fazer dois anos". Se for pessoal, o auxiliar concorda com o sujeito: "Devem existir documentos". Como auxiliar de tempo composto, porém, haver é pessoal: "Eles haviam saído".

Com a partícula se, observe a regência. Com verbo transitivo direto, o se é partícula apassivadora e o verbo concorda com o sujeito paciente: "Alugam-se salas", isto é, salas são alugadas. Com verbo transitivo indireto, que exige preposição, o se indetermina o sujeito e o verbo fica no singular: "Precisa-se de servidores", nunca "Precisam-se de".

Na concordância nominal, o adjetivo acompanha o substantivo. Anexo, incluso e obrigado variam: "Seguem anexos os documentos"; só a locução em anexo é invariável. Em expressões como é proibido e é necessário, o adjetivo só concorda se o substantivo vier com artigo ou pronome; sem eles, fica no masculino singular: "É proibida a entrada", mas "É proibido entrada".

Meio e bastante mudam conforme a classe. Como advérbios, junto de adjetivo, verbo ou advérbio, são invariáveis: "meio cansadas", "bastante cansadas". Junto de substantivo, variam: meio no sentido de metade concorda ("meia hora"; por isso "meio-dia e meia", com hora subentendida) e bastante no sentido de muitos também ("bastantes pessoas").

A banca derruba quem pluraliza haver e fazer impessoais ou o verbo com se seguido de preposição, deixa no singular o verbo com sujeito posposto e troca a classe de meio e bastante. Para memorizar: sem sujeito ou com se de indeterminação, singular, inclusive no auxiliar; meio e bastante variam junto de substantivo e não variam junto de adjetivo, verbo ou advérbio.

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