A mancha de Sommer-Larcher, observada na esclerótica de cadáveres que permanecem com os olhos entreabertos, é manifestação de:
- A) hipóstase visceral.
- B) putrefação gasosa.
- C) rigidez cadavérica.
- D) desidratação cadavérica. ✓
Gabarito: D
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Questão de Tanatologia forense · Polícia – Perito Criminal · gabarito comentado
FGV · Medicina Legal · Polícia – Perito Criminal
A mancha de Sommer-Larcher, observada na esclerótica de cadáveres que permanecem com os olhos entreabertos, é manifestação de:
Gabarito: D
A tanatologia forense é o ramo da Medicina Legal que estuda a morte e o cadáver. Ela ajuda o perito a confirmar a morte, interpretar as alterações do corpo e estimar o tempo decorrido desde o óbito, a chamada cronotanatognose.
Os fenômenos cadavéricos dividem-se em abióticos e transformativos. Os abióticos imediatos, como parada cardiorrespiratória, imobilidade e perda da consciência e dos reflexos, são apenas sinais de probabilidade, pois também ocorrem na morte aparente. Os consecutivos vêm depois e dão mais segurança ao diagnóstico: resfriamento (algor mortis), desidratação, livores ou hipóstases (livor mortis) e rigidez cadavérica (rigor mortis).
Os livores surgem porque, cessada a circulação, o sangue se deposita por gravidade nas regiões mais baixas do corpo; não dependem de bactérias. Nas primeiras horas, se o corpo é mudado de posição, migram para as novas áreas de declive; depois se fixam. Assim, cadáver de bruços com livores fixos nas costas, voltadas para cima, indica que foi virado após a fixação.
A desidratação resseca pele, mucosas e olhos. Com as pálpebras entreabertas, a esclerótica exposta perde água, fica mais fina e deixa ver o pigmento da coroide, formando a mancha escura, em geral triangular, de Sommer-Larcher.
A rigidez cadavérica se instala de forma progressiva, depois de uma flacidez inicial, seguindo a lei de Nysten: começa pela mandíbula e nuca, segue para os membros superiores, o tronco e os membros inferiores e se desfaz na mesma ordem. A exceção é o espasmo cadavérico, ou rigidez cataléptica, que é instantâneo, não tem flacidez prévia e fixa a última atitude vital, como em mortes súbitas com lesão grave do sistema nervoso central.
Os transformativos destrutivos incluem autólise, maceração e putrefação, que passa pelos períodos cromático, gasoso, coliquativo e de esqueletização. No adulto em ambiente terrestre, seu primeiro sinal externo costuma ser a mancha verde abdominal na fossa ilíaca direita, pela proximidade do ceco; o verde vem da sulfometemoglobina, formada pelo gás sulfídrico sobre a hemoglobina. No afogado, ela costuma começar na cabeça e na parte alta do tórax.
Os transformativos conservativos preservam o corpo. A mumificação é favorecida por ar seco, calor e ventilação intensa; a saponificação (adipocera), por umidade e pouca aeração, como em solo argiloso encharcado ou água parada, sendo mais comum em obesos. A corificação, com pele de aspecto de couro, ocorre em urnas metálicas hermeticamente fechadas.
Nas provas, a banca trata sinais imediatos como certeza da morte, chama o rigor de transformativo, descreve o espasmo como gradual, liga os livores a bactérias ou muda a região da mancha verde. Para memorizar: putrefação destrói, enquanto mumificação, saponificação e corificação conservam.