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Questão de Farmacocinética e farmacodinâmica · SESA-PR – Farmacêutico · gabarito comentado

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Julgue o item: na cinética de eliminação de ordem zero, elimina-se uma quantidade constante de fármaco por unidade de tempo, qualquer que seja a concentração plasmática. Isso ocorre, por exemplo, quando as enzimas que metabolizam o etanol estão saturadas.

Gabarito: Certo

Explicação: Na ordem zero, o sistema de eliminação está saturado e remove uma quantidade fixa por tempo (por exemplo, mg/h), de modo que a meia-vida não é constante. Na primeira ordem, elimina-se uma fração constante, proporcional à concentração. O etanol é o exemplo clássico, e a fenitoína e os salicilatos em doses altas também podem seguir esse padrão.
Pegadinha: Inverter os conceitos: quantidade constante por tempo é ordem zero; fração (proporção) constante por tempo é primeira ordem.

Revise a teoria de Farmacocinética e farmacodinâmica

Farmacocinética é o que o organismo faz com o fármaco, estudada pelas fases ADME, nesta ordem: absorção, distribuição, metabolização (biotransformação) e excreção. Farmacodinâmica é o que o fármaco faz no organismo, isto é, como ele age sobre seus alvos, principalmente receptores.

A biotransformação ocorre principalmente no fígado, onde se concentram enzimas como as do citocromo P450. A excreção é majoritariamente renal.

Biodisponibilidade é a fração da dose que chega inalterada à circulação sistêmica; pela via intravenosa ela é de 100%. Na via oral, parte do fármaco é metabolizada na parede intestinal e no fígado, aonde chega pela veia porta, antes de alcançar a circulação sistêmica. É o efeito de primeira passagem, que reduz a biodisponibilidade. Não confunda com a circulação êntero-hepática, em que o fármaco excretado na bile é reabsorvido no intestino.

Meia-vida é o tempo para a concentração plasmática cair à metade. Na cinética de primeira ordem, a mais comum, elimina-se uma fração constante por unidade de tempo, com velocidade proporcional à concentração, e a meia-vida é constante. Na ordem zero, o sistema de eliminação está saturado e remove uma quantidade fixa por tempo, qualquer que seja a concentração, sem meia-vida constante; o exemplo clássico é o etanol, e fenitoína e salicilatos em doses altas também podem segui-la.

Na cinética de primeira ordem, com doses repetidas a intervalos regulares e sem dose de ataque, o fármaco se acumula até o estado de equilíbrio (steady state). Após uma meia-vida atinge-se só cerca de 50% dele; o equilíbrio chega, na prática, após 4 a 5 meias-vidas (94% a 97%), prazo que depende da meia-vida e não da dose. Exemplo: com meia-vida de 6 horas, o equilíbrio vem em 24 a 30 horas; dobrar a dose dobra a concentração de equilíbrio, mas não encurta esse prazo.

O agonista liga-se ao receptor e o ativa; o antagonista liga-se sem ativá-lo, bloqueando a ação do agonista. Potência se mede pela CE50 (concentração que dá metade do efeito máximo) e eficácia, pelo efeito máximo. O antagonista competitivo reversível disputa o mesmo sítio e é vencido com mais agonista: a curva dose-resposta desloca-se para a direita, a CE50 aumenta e o efeito máximo se mantém. Já o não competitivo ou irreversível, em regra, reduz o efeito máximo.

A banca costuma trocar a ordem ADME, dizer que o steady state vem em uma meia-vida ou depende da dose, afirmar que o antagonista competitivo reduz o efeito máximo ou desloca a curva para a esquerda, e confundir primeira passagem com êntero-hepática. Lembre: fração constante, primeira ordem; quantidade constante, ordem zero.

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