Questão de Farmacocinética e farmacodinâmica · SESA-PR – Farmacêutico · gabarito comentado
Parte de um fármaco administrado por via oral é absorvida no trato gastrintestinal e chega ao fígado pela veia porta. Ali, uma parcela é biotransformada antes de alcançar a circulação sistêmica, o que reduz a biodisponibilidade. Esse fenômeno denomina-se:
- A) efeito de primeira passagem. ✓
- B) circulação êntero-hepática.
- C) depuração renal.
- D) redistribuição tecidual.
Gabarito: A
Explicação: No efeito de primeira passagem, o fármaco absorvido por via oral é parcialmente metabolizado no fígado (e na parede intestinal) antes de chegar à circulação sistêmica, o que diminui sua biodisponibilidade. A via intravenosa evita esse efeito e tem biodisponibilidade de 100%.
Pegadinha: Confundir primeira passagem com circulação êntero-hepática, que é a reabsorção intestinal do fármaco excretado na bile e pode prolongar seu efeito.
Farmacocinética é o que o organismo faz com o fármaco, estudada pelas fases ADME, nesta ordem: absorção, distribuição, metabolização (biotransformação) e excreção. Farmacodinâmica é o que o fármaco faz no organismo, isto é, como ele age sobre seus alvos, principalmente receptores.
A biotransformação ocorre principalmente no fígado, onde se concentram enzimas como as do citocromo P450. A excreção é majoritariamente renal.
Biodisponibilidade é a fração da dose que chega inalterada à circulação sistêmica; pela via intravenosa ela é de 100%. Na via oral, parte do fármaco é metabolizada na parede intestinal e no fígado, aonde chega pela veia porta, antes de alcançar a circulação sistêmica. É o efeito de primeira passagem, que reduz a biodisponibilidade. Não confunda com a circulação êntero-hepática, em que o fármaco excretado na bile é reabsorvido no intestino.
Meia-vida é o tempo para a concentração plasmática cair à metade. Na cinética de primeira ordem, a mais comum, elimina-se uma fração constante por unidade de tempo, com velocidade proporcional à concentração, e a meia-vida é constante. Na ordem zero, o sistema de eliminação está saturado e remove uma quantidade fixa por tempo, qualquer que seja a concentração, sem meia-vida constante; o exemplo clássico é o etanol, e fenitoína e salicilatos em doses altas também podem segui-la.
Na cinética de primeira ordem, com doses repetidas a intervalos regulares e sem dose de ataque, o fármaco se acumula até o estado de equilíbrio (steady state). Após uma meia-vida atinge-se só cerca de 50% dele; o equilíbrio chega, na prática, após 4 a 5 meias-vidas (94% a 97%), prazo que depende da meia-vida e não da dose. Exemplo: com meia-vida de 6 horas, o equilíbrio vem em 24 a 30 horas; dobrar a dose dobra a concentração de equilíbrio, mas não encurta esse prazo.
O agonista liga-se ao receptor e o ativa; o antagonista liga-se sem ativá-lo, bloqueando a ação do agonista. Potência se mede pela CE50 (concentração que dá metade do efeito máximo) e eficácia, pelo efeito máximo. O antagonista competitivo reversível disputa o mesmo sítio e é vencido com mais agonista: a curva dose-resposta desloca-se para a direita, a CE50 aumenta e o efeito máximo se mantém. Já o não competitivo ou irreversível, em regra, reduz o efeito máximo.
A banca costuma trocar a ordem ADME, dizer que o steady state vem em uma meia-vida ou depende da dose, afirmar que o antagonista competitivo reduz o efeito máximo ou desloca a curva para a esquerda, e confundir primeira passagem com êntero-hepática. Lembre: fração constante, primeira ordem; quantidade constante, ordem zero.